sábado, 12 de abril de 2014

Eu lembr' os tempos passados,                                      
Em qu' à frente tinh' o Mar,
A Arei' o Sol amados,
E um bem saudável Ar !

Eu sei qu' estes tempos são idos,
Que nunca mais voltarão !
Que os passos por lá tidos,
Nunca mais regressarão !

Mas Lisboa ... ai, Lisboa !
Oh tão terrível cidade !
Mas por mais que a mim doa,
Ficarei, por mais que brade !

Eu peço, portanto, assim ,
Que me digam que fazer :
Viver mal, aqui, oh sim,
Detestand' ist' a morrer ?

Da Cidad' o  cheir' o som,
Enfim, a poluição,
Tem só para mim o dom,
De dela fugir, 'té mais não !

O Meu Caminho

Não consigo respirar:
Nem sinto sequer o ar.
Só o vacuo me rodeia
Vai comigo, assim me peia:
Dele, não posso fugir,
E de ao pé dele sair .

Para onde? Não sei !
E será qu' o poderei ?
Tud' é negr' à minha frente...
E à volta não há gente !

Um Negro Buraco ...




And' anémico nest' agora
em que eu 'stou a viver ! ...
A Saudade em mim mora,
E dela me faz morrer !

Log' assim qu' a conheci,
Por ela m' apaixonei,
E log' a partir d' aí
Amigo d' ela fiquei.

Mas pra tud' exist' um fim,
E por iss' este também
Também acabou pra mim,
E nunca mais fiquei bem !

Agora, pr' ós cantos chora,
Só seu fantasm' é comigo,
Agradável sej' embora,
Chorá-la eu só consigo !

Chora minh' Alma, desfeita!
Não ris, que não és capaz !
Seu retrato te deleita,
Mas só, não te satisfaz !

Vê-la mais não a verei eu,
E ouvi-la, nem pensar !
Contudo não é erro meu,
De só nela m' alegrar:

Bastant' é minha tristeza,
"Poderei comig' assim ?"
Oh Fado, tão de dureza,
Dá-m' a de volta, sim ?